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GRUPOS DE ENTREAJUDA A PAIS
Porquê
eu?
A entreajuda a pais nasceu a partir da Apatris 21: nós,
melhor
do que ninguém, sabemos da valor ao que é ter um
filho
com Trissomia 21.
Temos muito orgulho nos nossos filhos, eles são a coisa mais
linda! São iguais a outras crianças,
só levam mais
tempo a atingir seus os objectivos.
Nós somos três mães cada uma com o seu
filho, de
idades diferentes, temos vivido em grande parte em
função
deles, abdicando de muito mas recebendo mais do que damos.
Quando nos deparamos com esta realidade parece que o mundo nos vai
desabar em cima, mas com o decorrer do tempo, verificamos que fomos
escolhidas para criar um filho muito especial.
Com toda a nossa experiência de mães, queremos
transmitir
que tudo se ultrapassa e que há uma
solução para
todos os problemas, vivendo um dia de cada vez.
Chegou a hora de darmos apoio a quem necessita de uma palavra amiga!
Estamos diponíveis a qualquer hora que nos queiram
contactar.
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CONTACTOS:
- Ana Isabel Peiredon (Tavira) 965 144 467
- Franscisca Silva (Silves) 968 527 438
- Susanne Ring (Almancil) 919 890 234
- Augusta Pereira (Faro) 962 863 605
- Dulce Antunes (Faro)966 469 029
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ERA UMA VEZ UM
PASSARlNHO...
Nasci
há 43 anos em Portugal, na linda cidade de Tavira. Quando
tinha
6 anos, os meus pais decidiram partir para França. Fui viver
para a Riviera Francesa, na Costa azul, uma das mais bonitas zonas do
pais. Nice viu-me crescer e viver feliz. Mais tarde conheci aquele que
viria a ser meu marido, constituindo o que se pode considerar de uma
familia feliz. As provas a que fomos submetidos podem
testemunhá-lo.
Da
nossa união nasceu um primeiro filho, lindo, cheio de saude,
que
nos enchia de orgulho. Tinha o pequeno Sebastien 3 anos quando o nosso
Julien se veio juntar a nos. Não nos foi fácil
aceitar o
facto de ele ser portador de Trissomia 21, vulgarmente chamado de
Sindroma de Down. Por outro lado, ele tinha problemas de
coração. Os medicos disseram-nos que o nosso
filho teria
poucas hipóteses de sobreviver a uma
operação a
que teria de ser submetido. Esta realidade foi-nos bastante
difícil de aceitar. O Julien acabou por fazer
várias
operações consecutivas, o que nos obrigou a fazer
a
viagem entre a casa e o hospital muitas vezes ao dia durante longos
meses. Foi grande o perigo de podermos vir a perder o nosso menino,
mas, finalmente, ele saiu do hospital e começamos por tentar
levar uma vida mais normal.
O
meu
marido e eu, desde cedo, conversávamos com o nosso filho
mais
velho sobre o irmão, de modo a que ele tivesse
consciência
das suas dificuldades. Isso, ajudou o Sebastien a encarar o
irmão como uma crianca tal como outra qualquer.
Estes
acontecimentos serviram para consolidar o meu casamento, e ele tem
resistido cada vez mais forte. Alguns membros da nossa familia
criticaram-nos e julgaram-nos, considerando-nos culpados por ter posto
no mundo uma criança diferente das outras. Muitos que
julgávamos amigos viraram-nos as costas. No entanto alguns
tentaram-nos ajudar dentro das suas capacidades e do seu entendimento
sobre o assunto.
Foi
muito bom ter encontrado pessoas na mesma
situação do que
eu, que me ajudaram a encarar a situaçao de uma maneira mais
positiva. Esses sim, são os nossos verdadeiros amigos
até
aos dias de hoje.
Os
anos passaram e pudemos reconhecer os laços fortes que se
têm criado entre nós os quatro, especialmente
entre o
Julien e o Sebastien.
Experiências
que jamais me esquecerei
Quando
o Julien nasceu, uma enfermeira do hospital deu-me um cartão
com
três numeros de telefone, dizendo-me que se eu precisasse de
ajuda bastava telefonar. Cheguei a casa e marquei o primeiro
número, chorando e sem conseguir falar. A pessoa que me
atendeu
disse-me: "Não chore! O seu bebe é só
um
passarinho que caiu do ninho. Agora ele só precisa de um
pouco
de ajuda."
Uma amiga do Sebastien disse-lhe que ele nunca poderia brincar com o
Julien porque ele era deficiente. Este respondeu: "o meu irmao
é
como os outros. Tem uma cabeça, dois braços e
duas
pernas."
Neste
momento, o meu filho mais velho, Sebastien, tem 19 anos. Há
pouco tempo conversávamos sobre o seu futuro e o do Julien.
Ele
garantiu-me que nunca permitiria que uma pessoa estranha se ocupasse do
irmão. No entanto, eu confrontei-o com a hipótese
de que,
mais tarde ele se casaria, e, não poderia impor o
irmão a
uma rapariga que não o desejasse. Esta foi a resposta do
Sebastien: "Não mamã. Uma mulher que
não aceita o
meu irmão nao serve para mim." Apesar de eu não
saber o
dia de amanhã confio em que o Sebastien, em nossa falta,
sempre
olhará pelo futuro do irmão.
Agora,
o Julien tem 15 anos. E um rapaz alegre, cheio de energia, muito
independente, completamente integrado na sociedade e na escola. Ele tem
perfeita consciência que é portador de Trissomia
21.
Há pouco tempo eu, conversando com ele, disse-lhe que ele
era
niçois (ou seja, natural de Nice). Ele, não
entendendo a
minha afirmação, respondeu-me com naturalidade:
"Não mamã. Eu sou trissómico (portador
de
trissomia 21)."
Apesar
das dificuldades valeu a pena. Ambos os meus filhos são a
minha
luz, a minha vida. Não me imagino sem o Julien. É
parte
integrante da nossa família. É um
indivíduo e
chama-se Julien Peiredon.
Tenho
muito a agradecer a todos aqueles que me ajudaram nos momentos mais
críticos, desde médicos, professores e
enfermeiros do
Centro Cardiothoracico de Mónaco onde o meu filho foi
operado,
terapeutas que o ajudaram até à nossa
mudança para
Portugal, até ao GEIST 21 (Grupo para
educação e
inserção social dos portadores de Trissomia 21),
por
tantas vezes me ter ouvido, e aconselhado a qualquer hora do dia em
qualquer dia da semana. Gostaria de salientar a terapeuta da fala
Nicole Val de Nice. Tanto ela como toda a sua família
dedicaram
a sua vida aos nossos filhos. Agradeço-lhe por ela me ter
ensinado tantas coisas que iriam ajudar o Julien a adaptar-se a vida
quotidiana. Tenho também que dizer muito obrigado ao meu
querido
esposo, porque teve a coragem de enfrentar o dia a dia, ocupando-se de
todos nós, assim como da lida diária, durante os
longos
meses em que estive em estado de depressão. Ele sempre me
encorajou e foi um suporte fundamental para a nossa família.
Gostaria
muito que o relato da minha experiência servisse para ajudar
aquelas famílias, que tal como a nossa, enfrentam os
preconceitos do mundo e as dificuldades de criar uma criança
portadora de Trissomia 21. Ora se não fosse essa ajuda que
me
foi dada a partir de Outubro de 1987, a minha vida teria sido bem mais
dura e teria tido mais dificuldade em enfrentar tudo o que enfrentei.
Ana
Isabel Peiredon
965 144 467
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